Segunda-feira, 3 de Março de 2008

*Artesanato*

Camisolas Poveiras

Camisolas de lã branca, bordadas em ponto de cruz com motivos em preto e vermelho (escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; etc.), produzidas por dezenas de artesãs poveiras que destinam a sua produção às casas de artigos regionais.

"A camisola poveira era inicialmente [1ª metade do século XIX] feita em Azurara e Vila do Conde e bordada (ou marcada) na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e, depois feita e bordada na Póvoa." (1)
Esta peça integrava o traje masculino de romaria e festa do pescador poveiro, cuja origem remonta ao primeiro quarteirão do século XIX. Este traje branco ou de branqueta (tecido manual) foi o que mais perdurou, mantendo-se até finais do século passado, sendo sempre o traje escolhido aquando da presença de elementos da comunidade junto das mais altas individualidades políticas.
Com a grande tragédia marítima de 27 de Fevereiro de 1892, o luto decretou a sentença de morte deste traje branco, assim como de outros trajes garridos. A camisola sobreviveu, ainda, pela primeira metade deste século, mantendo-se como peça de luxo de velhos e novos.
A recuperação do vistoso e original traje branco deveu-se a Santos Graça que, ao organizar o Grupo Folclórico Poveiro, em 1936, o ressuscitou e divulgou.

"Hoje, na classe piscatória já não se vislumbra qualquer vestígio do modo de trajar antigo. Nem mesmo essas camisolas poveiras (...) traduzem uma realidade actual." (2) A produção existente destina-se a lojas de recordações turísticas.

(1) COSTA, Maria Glória Martins da - " O traje poveiro", In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol. 19 (1980), p. 208-213
(2) AREIAS, Mário - "O trajo poveiro numa carta de António Santos Graça" , In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol.8, nº2 (1969), p.171-181

Tapetes de Beiriz

Manufacturados em teares de madeira, extremamente rústicos, os tapetes de lãs cortadas, trabalhadas nos pontos que os tornaram celebres (o "ponto de Beiriz", o "ponto estrela" e o "ponto zagal"), apresentam desenhos originais com flores como tema predominante. As mulheres, no tear, "cantam" as cores dos cartões e, com uma perícia notável criam modelos de tapeçaria fina que fazem do tapete de Beiriz um excelente embaixador do artesanato do concelho. Para além do primor de execução e acabamentos, os tapetes de Beiriz têm como característica única o facto de o seu desenho poder ser visto pelo avesso.

A história do tapete de Beiriz remonta a um passado relativamente recente. Data do 1º quartel deste século e foi ideia de Hilda d Almeida Brandão Rodrigues Miranda, nascida em 1892 na cidade da Baía e falecida em 1949, em Beiriz, onde constituiu, primeiro, uma pequena oficina e depois uma "fábrica" em conjunto com uma ajudante, Rita Conceição Campos. Começaram, assim, a produção de tapeçarias que enriqueceram com o ponto por elas inventado, o "nó de Beiriz", que se tornaria famoso. Após a morte da fundadora o fabrico manteve-se em mão de familiares mas a fábrica viria a falir em 1974.
Graças à perseverança do casal José Ferreira / Heidi Hannamann Ferreira, em 1988 recomeçou a produção de tapetes de Beiriz, tendo-se recrutado as artesãs da antiga fábrica. Evitou-se, assim, o desaparecimento desta técnica, o que representaria uma perda inestimável para o artesanato local e nacional.

Tapetes de Trapo

Forma de artesanato que ainda se mantém bem viva e em constante evolução, integrando novos materiais como, por exemplo, o couro. Presente em quase todo o concelho, é nas freguesias de Terroso e Laundos que se apresenta com maior incidência.

Utiliza como matéria-prima vários tecidos que as artesãs cortam em tiras estreitas. A tecelagem "não acusa quaisquer particularidades especiais, (...). Merece especial referência, contudo, a maneira como se obtém a decoração, (...) [que] consiste no decorado da trama - os puxados -".(1) Desta técnica e da rica combinação de cores obtém-se belos produtos.
Actividade estreitamente ligada à população agrícola (tradicionalmente o tear era um elemento presente em casa de quase todos os lavradores) ainda hoje sobrevive nas freguesias rurais do concelho. Podem-se definir duas formas de produção. "1) Pequenos produtores-empresários, que possuem vários teares, instalados na própria casa de habitação ou espalhados por diversas casas de tecedeiras, nos quais estas trabalham regularmente por tarefa, (...); e 2) Produtores individuais, possuidores de um tear, que, à margem dos trabalhos prioritários, geralmente agrícolas, exercem uma actividade têxtil que visa a satisfação das necessidades do agregado familiar,..." (2)
(1) PEREIRA, Benjamin Enes - "A tecelagem manual em Terroso", In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol.10, nº2 (1971), p.239-262
(2) Idem


Trabalhos em Linho

Outrora comum a quase todo o concelho, actualmente, confina-se quase unicamente a Rates, freguesia rural que se situa na zona mais interior do concelho e é das que mais influências minhotas sofre. O cultivo da planta de 2 em 2 anos fornece a matéria-prima a cerca de 15 artesãs. Através de cursos de formação as gerações mais novas recebem o testemunho das técnicas tradicionais de tratamento e tecelagem do linho. A organização de todo o processo (desde o cultivo à tecelagem e venda do produto) cabe ao Centro de Artesanato Local.

O reactivar desta tradição veio reforçar a identidade cultural e proporcionar o trabalho colectivo, à laia do que sucedia nos serões de antigamente.

Perde-se no tempo a origem do tear e da tecelagem. No concelho da Póvoa de Varzim sempre se manteve como actividade estreitamente ligada às gentes do campo. O tratamento e tecelagem do linho, matéria nobre por excelência, foi ocupação de muitas gerações de mulheres que com ele prepararam os seus enxovais e contribuíram para o orçamento familiar.

Coisas do Mar

 

Numa terra com tão fortes ligações ao mar é natural o aparecimento deste tipo de artesanato, reminiscência dos pacientes e engenhosos trabalhos a que os pescadores se dedicavam nas suas horas de ócio, como as construções dentro de garrafas.
Actualmente é uma expressão do artesanato dito "urbano" sendo relativamente fácil encontrá-lo em algumas lojas da cidade.

Miniaturas de Embarcações

É a vontade de utilizar de forma proveitosa o tempo, que leva alguns homens, por vezes já retirados da azáfama da pesca, a construir réplicas em miniatura das embarcações onde, muitas vezes, foram eles próprios protagonistas de emoções fortes. Aproveitam a sua habilidade manual e conhecimentos de construção naval para continuarem a celebrar a ligação com o mar.

 





 


publicado por Cidade Para Todos às 23:28
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